Tem espaço para o analógico na sala de aula do futuro?

A sala de aula do futuro está repleta de devices tecnológicos, aplicativos e pronta para que a codificação seja tão importante quanto a alfabetização. E a tendência é que o uso da tecnologia aumente consideravelmente nos próximos anos. Para a “Geração Alpha” (nascidos a partir dos anos 2010), as telas estão presentes desde o berço. Preparar os estudantes para lidarem com a tecnologia do presente e aquela que ainda não foi inventada passa a ser um objetivo indispensável para a educação do século XXI.

Por outro lado, o excesso de tecnologia à nossa volta acende um alerta: crianças brincam cada vez menos! Em uma pesquisa de 2017, encomendada pela Edelman Intelligence com 12.710 pais de Alphas em dez países, 56% dos entrevistados disseram que seus filhos passam menos de uma hora por dia brincando do lado de fora de casa. Uma em cada dez crianças nunca brinca fora e dois terços dos pais dizem que seus filhos brincam menos do que eles brincaram na infância. Smartphones, tablets e agendas superlotadas são os fatores que mais impactam este cenário.

Outro estudo realizado pelo Instituto Nacional de Saúde (NIH, na sigla em inglês) dos Estados Unidos produziu imagens de ressonância magnética coletadas em 4.500 crianças de 9 a 10 anos. As imagens reveleram diferenças significativas no cérebro daquelas que usam smartphones, tablets e videogames mais de sete horas por dia. Nas crianças super expostas houve uma redução prematura do córtex cerebral (que é um indicativo do processo de envelhecimento) Os resultados ainda não são conclusivos. Outro estudo do mesmo instituto revelou que crianças expostas às telas por mais de duas horas por dia apresentaram resultados piores em testes de linguagem e raciocínio. Os resultados oficiais começarão a ser publicados no início de 2019.

Segundo a doutora Catherine Tamis-LeMonda, professora de psicologia aplicada na New York University. “brincar é uma abordagem fundamental para a aprendizagem, um compromisso divertido, uma maneira curiosa de descobrir o mundo”. Jogos físicos, atividades em grupo e brincadeiras ao ar livre estimulam competências como empatia, cooperação, comunicação, argumentação e muitas outras, tão essenciais para formar cidadãos do século XXI quanto as citadas acima.

De acordo com essa visão – e enquanto a ciência ainda não conhece a fundo os impactos das telas sobre o desenvolvimento social e intelectual da nova geração – deve haver, portanto, na sala de aula do futuro, ferramentas e espaços analógicos para que elas possam também “desconectar para conectar”, como é o caso dos jogos de tabuleiro, por exemplo.

Qual a sua percepção sobre esse assunto? Tem alguma experiência que gostaria de compartilhar? Deixe seu comentário e vamos enriquecer esse debate!

Imagem: Pexels

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