O que você precisa saber sobre a Taxonomia de Bloom e os objetivos educacionais

Conceito revisado e um jogo para baixar e imprimir (PDF)

A taxonomia dos objetivos educacionais ou taxonomia de Bloom – como ficou mais popularmente conhecida – é o resultado de um estudo encomendado em 1948 pela Associação Norte Americana de Psicologia, cujo objetivo era criar um sistema de classificação capaz de ajudar no planejamento, organização e controle dos objetivos de aprendizagem. O trabalho – conduzido por um time de colaboradores liderado pelo psicólogo Benjamin S. Bloom (1913-1999) – resultou nesse livro.

A Taxonomia de Bloom está dividida em 3 domínios:

PSICOMOTOR – relacionado a habilidades físicas específicas. Bloom e sua equipe não chegaram a definir uma taxonomia para a área psicomotora, mas outros o fizeram e chegaram a seis categorias que incluem ideias ligadas a reflexos, percepção, habilidades físicas, movimentos aperfeiçoados e comunicação não verbal.

AFETIVO – relacionado a sentimentos e posturas. Envolve categorias ligadas ao desenvolvimento da área emocional e afetiva, que incluem comportamento, atitude, responsabilidade, respeito, emoção e valores.

COGNITIVO – relacionado ao aprender, dominar um conhecimento. Envolve o desenvolvimento intelectual. Embora todos os três domínios (cognitivo, afetivo e psicomotor) tenham sido amplamente discutidos e divulgados, o domínio cognitivo é o mais conhecido e utilizado.

Níveis do processo cognitivo na taxonomia de Bloom

Pirâmide da taxonomia de Bloom (domínio cognitivo)

LEMBRAR – Relacionado a reconhecer e reproduzir ideias e conteúdos. Reconhecer requer distinguir e selecionar uma determinada informação e reproduzir ou recordar está mais relacionado à busca por uma informação relevante memorizada.

ENTENDER – Relacionado a estabelecer uma conexão entre o novo e o conhecimento previamente adquirido. A informação é entendida quando o aprendiz consegue reproduzi-la com suas “próprias palavras”.

APLICAR – Relacionado a executar ou usar um procedimento numa situação específica e pode também abordar a aplicação de um conhecimento numa situação nova.

ANALISAR – Relacionado a dividir a informação em partes relevantes e irrelevantes, importantes e menos importantes e entender a inter-relação existente entre as partes.

AVALIAR – Relacionado a realizar julgamentos baseados em critérios e padrões qualitativos e quantitativos ou de eficiência e eficácia.

CRIAR – Significa colocar elementos junto com o objetivo de criar uma nova visão, uma nova solução, estrutura ou modelo utilizando conhecimentos e habilidades previamente adquiridos. Envolve o desenvolvimento de ideias novas e originais, produtos e métodos por meio da percepção da interdisciplinaridade e da interdependência de conceitos.

Taxonomia revisada para o século XXI

Uma vez que novos conceitos, recursos e teorias foram incorporados ao campo educacional, um grupo de especialistas se reuniu para rever alguns pressupostos teóricos da Taxonomia de Bloom. O resultado desse trabalho foi publicado em 2001, nesse livro, e desde então tornou-se a referência atual para o estudo da Taxonomia de Bloom.

Embora a nova taxonomia mantenha a hierarquia original, ela é flexível, pois considera a possibilidade de inverter a ordem dos níveis do processo cognitivo quando necessário, devido ao fato de que determinados conteúdos podem ser mais fáceis de serem assimilados a partir do estímulo pertencente a um nível mais complexo. Por exemplo, pode ser mais fácil entender um assunto após aplicá-lo e só então ser capaz de explicá-lo.

Este trabalho de revisão propôs também uma tabela bidimensional que possibilita diferenciar – em cada nível da taxonomia – se o objetivo de aprendizagem está relacionado à aquisição de conhecimento ou desenvolvimento de habilidade e competência. Este artigo explica em detalhes como a tabela bidimensional funciona, além de apresentar uma revisão da literatura para quem quiser se aprofundar.

A Taxonomia de Bloom – e sua versão revisada – são, portanto, particularmente valiosas no contexto dos desafios que se colocam para a educação do século XXI, por duas principais razões:

  1. Facilitam a identificação dos objetivos de aprendizagem pretendidos e seu alinhamento a uma base curricular comum, como é o caso da BNCC, no Brasil;
  2. Uma vez que os objetivos de aprendizagem são explícitos e comuns a todos, podem ser compartilhados com os estudantes, abrindo espaço para uma aprendizagem metacognitiva que oferece a eles mais protagonismo e autonomia em seu processo de aprendizagem.

Um jogo sobre os objetivos de aprendizagem

A taxonomia de Bloom é também – por tudo que sabemos agora – uma grande aliada para quem elabora todo tipo de material didático, como jogos para educação (que é o nosso caso, por exemplo). Por isso, em retribuição, criamos um dominó em que o desafio é conectar os verbos de ação relacionados aos níveis da taxonomia de Bloom (que vimos acima). O jogo (em PDF para impressão) está disponível para download grátis nesse link: http://fagulha.fun/bloomeosverbos/. Divirta-se e compartilhe o link com seus colegas!

Referência: FERRAZ, A. P.; BELHOT, R. V. Taxonomia de Bloom: revisão teórica e apresentação das adequações do instrumento para definição de objetivos instrucionais. Gest. Prod., São Carlos, v. 17, n. 2, p. 421-431, 2010.

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