estudantes jogando RPG

Usando jogos de RPG para desenvolver a escrita narrativa

Professores relatam a experiência de fazer alunos produzirem um volume de texto equivalente aos seis primeiros livros da coleção Harry Potter.

Extraído e traduzido da matéria original (em inglês) do Edutopia

Alunos do 9o ano de uma escola canadense tiveram uma surpresa quando os professores Philip Bird e Evan Manconi os convidaram a explorar o mágico e futurístico mundo de Clataclisma e que eles iriam passar as próximas semanas dedicados a um RPG (Role Playing Game) ou jogo de representação de papéis.

Resumidamente podemos definir o RPG como um tipo de jogo em que os participantes assumem papéis de personagens e colaborativamente criam histórias. Os participantes determinam as ações dos personagens baseados em sua caracterização e a ações são bem ou malsucedidas de acordo com um sistema de regras que, desde que respeitadas, permitem que os jogadores improvisem livremente em suas escolhas, moldando a direção e o resultado do jogo. Enfim, RPG é um assunto merece um post (ou mais de um) só para ele, e com a ajuda de um especialista! Enquanto isso, se você se interessar, esse artigo pode ser útil para começar.

“Os estudantes toparam na hora!” diz Manconi, quando explicou a eles que o desafio era usar criatividade e colaboração para desenvolver personagens, criar diálogos e negociar as reviravoltas do enredo. Seis semanas depois os estudantes já tinham escrito mais de 700 mil palavras – o equivalente aos seis primeiros volumes da série Harry Potter. Segundo o professor Bird, “o falatório na sala de aula era para saber o que os personagens iam fazer.”

Em retrospecto, a dupla de professores observa que os elementos do jogo se alinharam perfeitamente ao que eles precisavam ensinar, como a descrição de cenário, traços de caráter e complexidade dos personagens e os conflitos apresentados.

“Assim que você mostra que não é avaliação nem lição de casa, você consegue um engajamento surpreendente – inclusive daqueles alunos que a gente não esperava.”

Philip Bird, professor de redação

Claro que havia uma preocupação em avaliar, ressalta Bird. Os alunos tiveram de fazer uma avaliação escrita ao final da experiência. Eles podiam escolher entre escrever um ensaio ou compor uma narrativa. A prática da escrita que acontece durante o RPG desenvolve escritores mais consistentes, independente do gênero textual, avalia o professor.

O jogo ajuda a destravar

Sara Taversine, professora do middle school (equivalente ao nosso Fundamental II) na Califórnia, observa que os alunos podem ficar empacados no começo, pensando demais sobre os personagens e o enredo, principalmente se estão acostumados a escrever ensaios de não-ficção. A estrutura de um jogo – que eles conhecem muito bem – fornece um ponto de partida por onde desenvolver o raciocínio e isso faz com que eles pulem de cabeça no desafio.

Em geral, professores que propõem experiências com jogos – como no caso do RPG – são ávidos jogadores de longa data, competência que obviamente facilita o suporte que podem oferecer aos alunos durante a experiência. Mas se você é um professor que não tem familiaridade com RPG, não desista! É muito provável que entre os alunos da sua turma ou entre os estudantes da escola haja um ou mais voluntários que têm alguma ou muita experiência com RPG e que poderiam ajudar no game design e até atuar como monitores durante as aulas. Para eles seria uma ótima oportunidade de estar envolvidos em um projeto que exige responsabilidade e protagonismo.

A professora Taversine conta que a estrutura do RPG fomentou também a colaboração entre os grupos e os encorajou a ir além. Ela lembra de um debate intenso (que ficou ouvindo de longe) em que os estudantes decidiam sobre matar um personagem: “Eles davam justificativas em função do enredo mas queriam garantir que ia ficar tudo bem para os outros personagens”.

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